Manuel Cruz…

Posted: Junho 21, 2008 in Curiosidades, Musica

…está de regresso, mas continua a fugir…

Foge Foge Bandido, projecto de Manuel Cruz, está finalmente cá fora. Com dois discos (“o amor dá-me tesão” e “não fui eu que estraguei”) num livro, com chancela da Turbina.

LADO A – O Amor dá-me tesão
LADO B – Não fui eu que estraguei

Lado a, lado b, lado c, nada há no reaparecimento editorial de Manuel Cruz que se ponha a jeito de rótulos – o que, de algum modo, já se infere pelo nome do projecto: Foge Foge Bandido. Está tudo ligado: dois discos + um livro = uma obra. Quando muito, há uma proposta: ouvir os discos como quem vê um filme, em que as músicas e as histórias nelas contidas permitem desenhar narrativas imaginárias e assim estabelecer uma comunhão entre a identidade do autor, intérprete dos seus sentimentos, e do ouvinte, intérprete do intérprete segundo os seus sentimentos.

O livro, sendo outro facto estético derramado pela mesma fonte (que é como quem diz: um todo e, simultaneamente, uma parte), não pretende cumprir o papel de um making of, mas apoia a conjectura de sobre como terão sido as várias fases do longo processo – quase dez anos – que deu origem à obra. E como se intitula ela? Foge Foge Bandido? Não, isso é o projecto. O amor dá-me tesão? Não, esse é o título de um dos discos (o primeiro ou o segundo, consoante a forma como se aborde o livro, que a meio sofre uma inversão, de modo a subjectivar o que é ler/ouvir do princípio para o fim ou do fim para o princípio). Não fui eu que estraguei? Não, esse é o título do outro disco.

O Foge Foge Bandido foi um namoro de acasos, descobrir a música das pessoas e não dos músicos e atribuir ao tempo a tarefa de seleccionar o material. Foi tentar ao máximo expressar o processo, com a consciência, claro, de que o acaso se estende ao próprio entendimento desse processo e de que se calhar não percebi nada.

Experimentar foi a palavra de ordem. Daí, por exemplo, a multiplicidade de instrumentos e o encarar não restritivo do conceito de instrumento musical, promovido a “ferramenta de trabalho” – seja o software, um teclado analógico ou um saco de feijões. É, afinal, de um jogo a feijões que se trata o experimentar subjacente a Foge Foge Bandido. Alegarão: mas, se é a feijões, não há nada a ganhar. Ver-se-á, ouvindo. Em última análise, haverá tanto como a perder. É a vida.

Comentários
  1. teresa diz:

    Os Ornatos Violeta foi a banda do Manel que mais me marcou, apesar de também gostar de Pluto e dos SuperNada. A magia dos Ornatos é nos os podermos ouvir a pensar que um dia voltarão. E eles voltam sempre, cada vez que os ouvimos. Foi o “fim da canção”, mas a melodia continuou sempre nos nossos corações
    Com esta verdadeira obra ( no site oficial temos acesso a umas 12 músicas, e já posso dizer que esta genial! ) Era uma pena se genialidade do Manel não fosse espalhada o mais que ele puder. Anseio pela estreia dos discos e do livro😀

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